Racismo Recreativo: “Humor” racista não é brincadeira

Racismo Recreativo: "Humor" racista não é brincadeira
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Graças ao racismo estrutural, pessoas negras estão acostumadas a ouvir piadas e ver sua etnia ser representada de maneira vexatória no cotidiano para reafirmar a inferioridade do negro diante do branco. Segundo um artigo do canal Mundo Negro , as “brincadeiras inocentes” são problemáticas por diminuírem o negro por suas características étnicas e isso é chamado de Racismo Recreativo, sendo uma das ferramentas mais comuns do racismo hoje em dia. Por mais que não haja intenção da pessoa em ofender, ela acaba mostrando que há um problema maior a ser combatido.

“O Racismo Recreativo é algo tão enraizado e frequente na sociedade que, mesmo dentro da esfera do politicamente correto, ele ainda consegue passar despercebido. Isso porque estamos tão condicionados e passivos a ideias racistas que até mesmo negros reproduzem formas de racismo dentro do contexto humorístico e muitas das situações vexatórias para com negros só são consideradas engraçadas, justamente, pela existência do racismo.” – diz a matéria, se ancorando no livro “Racismo Recreativo” escrito por Adilson Moreira.

Essa vertente do racismo acaba por mostrar as ideias e valores da sociedade que perpetuam nas relações. É diferente das piadas sobre uma “loira burra”, por exemplo, pois elas não refletem na diminuição do emprego ou exclusão dessas pessoas na sociedade. No entanto, afirmar que uma pessoa negra é criminosa em tom de piada, por exemplo, está diretamente associada a violência policial e genocídio dessa parcela da população.

“O Brasil é visto como uma população cordial, bem humorada e muito receptiva por todo o mundo. Dentro dessa cordialidade existe o racismo que se disfarça entre as relações e se força a ser despercebido pelas pessoas brancas enquanto faz sérios apontamentos e direcionamentos a pessoas negras. O principal problema desse racismo cordial e recreativo está na dificuldade de denunciar. Na grande maioria das vezes pessoas negras são vistas como muito sensíveis por se sentirem afetadas por algo que na mente de todo mundo é uma brincadeira”. – diz a matéria.

A brincadeira se dá quando ambas as partes se divertem, e mesmo que uma pessoa negra seja passiva diante dessas situações e finja não se importar, no fundo, elas acabam se ofendendo.

Sobre Victor Miller 10 Artigos
Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro

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