Jongo da Serrinha participa do Ciclo Percursos da Tradição, em diversas unidades do Sesc São Paulo

Jongo da Serrinha participa do Ciclo Percursos da Tradição, em diversas unidades do Sesc São Paulo
André Luiz Gonçalves Rodrigues

Trazendo a cultura ancestral e o passo tabiá, o grupo Jongo da Serrinha se apresenta nas unidades do Sesc São Paulo, dentro do ciclo Percursos da Tradição, que promove  encontros, trocas e aprendizados com a cultura popular tradicional. As primeiras apresentações serão  nesta sexta-feira, 02 de agosto, no Sesc Catanduva, com início às 20 horas e no domingo (04/08), na sede de São José dos Campos, às 16h. A entrada é gratuita.

Criado no final da década de 60, pelo mestre Darcy e sua grande matriarca Tia Maria do Jongo, que faleceu este em maio, aos 98 anos, o grupo vem do morro da Serrinha, que fica no subúrbio da comunidade de Madureira, no Rio de Janeiro.

“Tá muito recente pra nós a ida da Tia Maria, mas acreditamos na vida eterna e ela sempre estará conosco no nosso caminhar. Estar no ciclo Percursos da Tradição em parceria com o SESC São Paulo nos abre mais uma porta e estamos felizes em mostrar a ancestralidade e o trabalho que desenvolvemos com o Jongo da Serrinha em outro estado”, conta lazir Sinval, coordenadora artística do grupo cultural.

Registrado pelo IPHAN em 2005 como um dos seis primeiros patrimônios imateriais do Brasil, o jongo originalmente só podia ser dançado pelos “cabeça branca”. Também conhecido por caxambu, o jongo é uma dança de matriz africana, da região do Congo e Angola. Chegou ao Brasil-Colônia por meio dos negros de origem bantu, escravizados e trazidos para o trabalho forçado nas fazendas de café do Vale do Rio Paraíba, no interior dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

Contam velhos jongueiros que quando a Terra era “encantada”, ou seja, quando havia muito mais natureza do que cidade, quem o dançava tinha diversos poderes mágicos. Um deles, muito comum, era estar em dois lugares ao mesmo tempo. Acontecia de alguém ir para uma roda umbigar e outro testemunhar que aquela mesma pessoa estava numa outra roda, em outro lugar, ao mesmo tempo. Contudo, dizem que esta magia, com a urbanidade excessiva, foi perdendo sua potência. Mas o jongo continua “tendo mironga” e preserva em seus sistemas a força regeneradora da natureza e da presença dos corpos que “se umbigam mutuamente”, como dizia Mestre Darcy.

Não apenas para diversão, mas também para momentos de reflexão e oração por meio da música, o jongo é uma forma de falar sobre a abolição que nunca houve, de se pensar numa reparação histórica necessária, de transmitir sabedorias ancestrais e de se tentar recontar a história do Brasil sobre o olhar dos oprimidos.

Solista, versos livres, improvisos, refrão por todos respondidos… Colocando as mãos no couro do tambor e gritando a palavra “machado”, o jongueiro interrompe um ponto de jongo para que outro possa começar.

Para quem já quer deixar a agenda organizada para acompanhar o Jongo da Serrinha nas outras apresentações, que o grupo fará nas unidades do Sesc São Paulo, é só anotar:

15/08 – Sesc Consolação às 19h
16/08 – Sesc Santana às 15h
17/08 – São Caetano (Parque da Juventude – Mauá, SP) às 15h
18/08 – Sesc Taubaté às 16h

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