Racismo Estrutural: você sabe o que é?

Racismo Estrutural: você sabe o que é?
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Racismo é uma forma de discriminar um indivíduo ou um grupo por sua etnia ou cor. Como é um termo muito amplo, existem muitas subdivisões que são estudadas, como racismo simbólico, institucional, individual, científico, estrutural e outros.

O racismo estrutural é uma das formas mais “brandas” e de difícil percepção da sociedade, já que elas estão diretamente ligadas ao processo histórico. A abolição dos escravos ocorreu apenas no ano de 1888, porém os negros foram inseridos na sociedade sem nenhum suporte e o povo ainda tinha um pensamento escravocrata. Essa herança histórica vemos até os dias de hoje nas estruturas da sociedade.

Há um conjunto de hábitos, situações e expressões embutidas em nossos costumes que promovem a segregação racial. Vemos isso em palavras como “denegrir” (tornar negro); chamar o negro de “moreno” ou “pessoa de cor” ou quando se fazem piadas onde associam as pessoas negras e indígenas a situações degradantes.

Após a abolição, os negros não tiveram emprego, moradia digna e nem condições básicas de sobrevivência. Por isso, eles iam morar em lugares onde ninguém queria morar, como os morros, dando origem às favelas. E hoje em dia, mesmo depois de 130 anos, ainda vemos o reflexo desse racismo estrutural.

É difícil para a pessoa negra ascender economicamente, acessar lugares e ter as mesmas profissões de pessoas brancas. O índice de analfabetismo entre pessoas negras e pardas é mais que o dobro do que as brancas, enquanto o desemprego também é mais alto para essa população e os salários, mesmo em profissões equivalentes, é menor para a população negra. Faltam pessoas negras em cargos importantes e com maiores salários, mesmo que a estatística aponte que a maioria dos brasileiros (55%) são negros.

Segundo o livro Racismo Estrutural (2018), escrito pelo diretor-presidente do Instituto Luiz Gama, Silvio Luiz de Almeida, é necessário ” pensar o racismo como parte da estrutura não retira a responsabilidade individual sobre a prática de condutas racistas e não é um álibi para racistas. Pelo contrário: entender que o racismo é estrutural, e não um ato isolado de um indivíduo ou de um grupo, nos torna ainda mais responsável pelo combate ao racismo e aos racistas.”

Já o doutor em educação e reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente, defende que conscientização de que o racismo existe é apenas o primeiro passo. Em um segundo momento, é necessário debater o assunto e apostar em ações práticas que revertam todo esse processo histórico. A luta não é apenas dos negros, mas sim de todos.

“Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista” – Angela Davis

Sobre Victor Miller 10 Artigos
Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro

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